Este post pode soar como mal-educado. Já aviso que não é a intenção. Quero apenas esclarecer alguns pontos sobre questões que ouvi recentemente de alguns clientes. Um disse que “enfiamos a faca”. Outro questionou a razão pela qual nossos ensaios “não são parecidos no tratamento”. “Fica mais barato sem o álbum?”. A pior de todas, porém, é a “que equipamento você usa?”.
Sem saber, todos levantaram questões que se relacionam.
A primeira sobre o preço. Há valores dos mais diversos no mercado. É natural e sadio para a concorrência. Temos uma tabela que, hoje, julgamos adequada. E baseada em que? Em inúmeras questões citadas à exaustão em todos os blogs/sites de fotógrafos afora. Muito mais do que a depreciação do equipamento e do seguro anual que pagamos, há o esforço ininterrupto no aprendizado. Compramos livros aos montes, participamos de eventos, grupos de estudo e o escambau para nos mantermos informados e, principalmente, atualizados. Ainda assim, trata-se de algo absolutamente subjetivo. Preciso, mesmo, apenas o tempo que envolve o trabalho completo. Já chego lá.
Fotografar não é apertar botão – embora há quem entenda dessa forma, e respeitamos.
Nossa sociedade é treinada para ler textos, não fotos. E sim, fotos podem ser lidas – incrível, não? Apesar de bombardeados por imagens, nunca fomos treinados para entendê-las. Nesse aspecto, nossa cultura imagética é paupérrima, por isso são poucas as pessoas que captam a diferença entre uma imagem que foi pensada de outra meramente clicada.
Não é um discurso demagógico, mas não temos a menor intenção de clicar por clicar só pelo dinheiro. É evidente que todo mundo precisa pagar conta e colocar comida na mesa. Entretanto, e isso é importante deixar claro, fazemos isso porque amamos fotografia. Poderíamos cobrar um valor medíocre, nivelar por baixo, fazer 15 eventos por mês e entregar qualquer droga que alguém chamaria de foto.
A questão é: somos três fotógrafos cuja meta é a qualidade acima de tudo. E qualidade custa dinheiro. Aí chegamos ao segundo questionamento. Nossas fotos são feitas única e exclusivamente tendo aquele cliente em vista. Não pasteurizamos tratamento. Certamente alguém vai nos chamar de idiotas, porque isso significa mais tempo de pós-produção e, paralelamente, menos agenda para clicar. Não nos importamos com isso. Preferimos fazer pouco e com qualidade acima da média do que um punhado de imagem meia-boca.
Temos uma forma de trabalhar que funciona para nós. Não estou dizendo que é a certa ou que é infalível. Cada um sabe suas preferências, essa é a nossa. Encaramos cada casamento e cada ensaio de forma individual. Não fazemos nada “pré-programado”. Não temos “modelo” antecipado. Tratamos foto por foto. Aí alguém diz: “Ah, mas isso demora muito!”. Sim, demora. Só que encaramos o nosso trabalho como uma criação de arte. Criar arte não é tarefa feita em alguns minutos. Exige tempo, paciência e dedicação.
Outro detalhe importante que precisa ser dito. Tratar foto não é “fazer efeito”. Tratar é dar o toque final a algo que já está devidamente registrado com acuidade. Pelo amor de Deus, cliente querido, não nos peça para “fazer fusão” ou nenhum outro tipo de rococó. Se é essa a sua vontade, infelizmente o Foco Estúdio não vai suprir sua exigência. Nossa meta é registrar emoção e entregar uma foto inesquecível. Foto ruim não tem conserto posterior. Por isso, para nós, “efeito” é palavra fora do dicionário, simplesmente porque só serve para camuflar algo que já nasceu estragado.
O álbum, que parece gerar um bocado de dúvidas, é encarado por nós como a cereja do bolo. É a materialização de algo intangível. Porém, ele não é o mais importante. Não vendemos álbum, vendemos fotografia. De novo, há quem viva de vender papel. É um direito que respeitamos, mas preferimos atuar de outra forma. Todos os nossos pacotes (temos quatro) incluem o álbum, só que o valor não se baseia nele. Podemos entregar sem o álbum? Com certeza. Isso vai diminuir consideravelmente o valor do pacote escolhido? Absolutamente não.
Por fim, o bendito equipamento. Até outro dia eu usava uma 20D, da Canon. Pra quem não conhece, é uma máquina que saiu de linha há, pelo menos, três anos. Minhas fotos melhoraram pelo fato de usar um modelo mais novo? Digamos que se eu colocar uma imagem lado a lado, cada uma feita com uma máquina, ninguém será capaz de distinguir os modelos. Eu controlo o equipamento, não ele a mim. Ainda vou arrumar um casamento para clicar com uma portátil (que chamo carinhosamente de saboneteira) só para mostrar que não faz diferença naquilo a que nos propomos. É evidente que recursos técnicos facilitam em determinadas ocasiões, mas o objetivo final, que é o de registrar emoções, não é alterado em absolutamente nada pelo equipamento. O meu olho dita as regras, não a marca e o tamanho da máquina que carrego.
Pois bem, de tudo isso, o resultado até agora tem valido o esforço. Receber elogio dos casais é algo imensurável. A pessoa espera por algo, mas você consegue superar a expectativa a ponto de ela se emocionar. É nesse momento que ela entende a razão de custar X e não Y.
Aí eu pergunto: é melhor pagar por algo assim, único, feito especificamente para você, ou pelo mecanizado da linha de produção?